quinta-feira, 5 de maio de 2011

Uma parceria para Vanusa

Manhãs de setembro! Elas estão de volta – e com elas, DJs do Brasil todos parecem mais uma vez inspirados a tocar o sucesso de Vanusa dedicado justamente a elas. Esse “rompante de criatividade”, imagino, repete-se há 37 anos – e digo “imagino” porque não posso afirmar com certeza que se trata de um ritual obrigatório nas rádios nacionais à espera da primavera desde que a música foi lançada, em 1973. Porém, o fato de tê-la escutado nas primeiras horas do último sábado e domingo chamou minha atenção…

Ontem e anteontem tive de acordar bem cedo para pegar vôos, respectivamente, para São Paulo e Curitiba. E, com efeito, sempre a caminho de um aeroporto, antes mesmo de o relógio dar 6h, eu já estava escutando no rádio dos táxis que me levavam o “imortal” refrão: “Eu quero sair, eu quero cantar, eu quero ensinar o vizinho a cantar”… E me perguntei se seria apenas uma coincidência ou, como sugeri acima, um ritual…

Para a minha surpresa – primeiro, pelas poucas horas de sono que eu tinha usufruído em ambas as ocasiões; depois pela constatação de que eu não ouvia a canção por inteiro há algumas décadas –, peguei-me cantando (mentalmente, para não intimidar o motorista que me levava) “Manhãs de setembro” inteirinha! A música provavelmente, estava impregnada no meu “hard disk”… E não sem motivo. É uma letra bonita – se você descontar o verso “fui eu que num esforço se guardou na indiferença” –, composta pela própria Vanusa. E tem uma melodia, se não sofisticada, no mínimo elaborada – e minha justificativa para isso é a truncada passagem dos versos iniciais para o coro.

Original ou não, idéia de ruminar “Manhãs” antes de o dia começar – e especialmente nesta época do ano – pareceu-me bastante simpática. E inevitavelmente remeteu meu pensamento às constrangedoras ressurreições recentes da cantora no youtube: a impagável “performance” do hino nacional, há cerca de um ano, e o sensacional “mash-up” (como o elenco de “Glee” deixou passar essa?), involuntário diga-se, que ela fez em outra apresentação ao vivo entre canções bem distintas, mas que, como diz a própria cantora, “eu faço confusão com as duas” – “Sonhos de um palhaço”, de Antônio Marcos e Sérgio Sá (um clássico do repertório dela mesma, Vanusa!), e “Como vai você”, também de Antônio Marcos, consagrada por ninguém menos que Roberto Carlos!

Nenhum desses dois, hum, sucessos da internet são novidade, claro. E provavelmente nem mereceriam um comentário aqui no post – pelo menos não a essa altura, quando qualquer internauta que se preze já os conferiu um bom par de vezes (ou mais: perdi a conta de quantas gargalhadas dei com repetidos cliques para a “versão alternativa” do nosso Hino Nacional!). Porém, o acaso (sempre o acaso) fez com que eu pensasse em Vanusa agora de outra maneira – e tivesse a idéia de convocar até sua imaginação para dar um empurrão (dessa vez, positivo) na sua carreira. Explicando…

Entre as revistas que estavam na minha mala de mão, para me ajudar a enfrentar as horas que iria enfrentar dentro do avião, eu tinha a “Entertainment Weekly”, com data de publicação de 3 de setembro. Na capa, uma bizarra competição na qual o leitores da “EW” escolhiam a “criatura” mais sexy entre os personagens de fantasia da história recente do cinema e da TV (não vou contar quem ganhou, mas se quiser pode conferir aqui. Mas o que me interessou mesmo foi uma outra lista que eles publicaram, com os duetos mais surpreendentes (leia-se “improváveis”) da música pop!

O que inspirou tal seleção foi a “quentíssima” e inesperada colaboração entre o rapper (e produtor) mega bem sucedido Kanye West e o fenomenalmente popular Justin Bieber. A música que eles fizeram juntos, “Runaway love” já circula freneticamente aqui mesmo na internet – e se você não estava sabendo e precisa de alguns minutos para se recuperar do susto, não tem problema. Respire, e siga comigo, pois a proposta de hoje é interessante!

No maravilhoso mundo do pop, tudo é possível – e a lista da “Entertaiment Weekly” é prova disso. Não gosto exatamente de todas as músicas que eles escolheram, mas há momentos inegavelmente preciosos – para não dizer “clássicos” – como a parceria do Run D.M.C. com o Aerosmith, que conseguiu reinventar (e, eu diria, até melhorar) a faixa “Walk this way”; ou a arrebatadora combinação entre Afrika Bambaataa e John Lydon (ex Sex Pistols) na sensacional “World destruction”; o então homofóbico Eminem cantando “Stan” com Elton John no Grammy de 2001 foi lembrado (é o número um da lista!), bem como um das minhas faixas favoritas do Pet Shop Boys, “What have I done to deserve this?”, gravada com Dusty Springfield; Blink-182 com Robert Smith (The Cure), KLF com Tammy Wynette, U2 e Luciano Pavarotti – e mais um punhado de encontros – reforçam a tese de que, quando um artista decide vencer preconceitos e arriscar, o resultado só pode ser bom!

Mesmo no nosso pop, que ainda é tímido nessas misturas, quando dá certo, dá muito certo. Só para lembrar algumas, a primeira parceria que me vem à cabeça é a de Ana Carolina com Seu Jorge – não exatamente artistas que foram feitos um para o outro, mas que funcionaram muito bem juntos (e como!). Há poucos dias vi Maria Gadu e Caetano Veloso juntos no palco do prêmio Multishow – ambos artistas “de fina estampa”, ainda que de padrões diferentes, mas que se encaixaram com perfeição. Lembra-se da boa surpresa que foi ver Marisa Monte cantando com a velha guarda da Portela?

E que tal o Sepultura tocando para Zé Ramalho cantar (“A dança das borboletas”) – o mesmo Zé Ramalho que, quando o “Fantástico”, programa em que trabalho, comemorou suas 1.500 edições em 2002, cantou com os Raimundos o sucesso de Raul Seixas, “Metamorfose ambulante” (foram vários encontros inusitados, inclusive o meu favorito: Sandra de Sá e Jota Quest homenageando Tim Maia… mas eu divago…). Até colaborações “internacionais” acabam ficando interessantes, como as recentes entre Negra Li e Akron (“Beautiful”), Vanessa da Mata e Bem Harper (“Boa sore/Good luck”), e Wanessa e Ja Rule (“Fly”).

Com tantas possibilidades, resolvi perguntar: por que ninguém ainda convidou Vanusa para uma dessas parcerias inesperadas? Com aquela voz poderosa – certamente mais poderosa que sua memória! –, como ninguém ainda pensou em chamá-la para trabalhar junto? Onde está Marcelo D2 quando mais precisamos dele? (Eu sei, o que ele fez pela cantora Cláudia em “Desabafo” ficou mais na área do “sampler” – mas por que não cutucar o genial D2 para ele pensar em uma colaboração “de facto”?).

Assim, num inocente exercício de imaginação pop, jogo a pergunta para você: na sua opinião, quem faria uma boa dupla com Vanusa? Pode viajar! Aliás, quando mais inusitada a parceria, melhor! “Se calhar” (como se diz “no Portugal”), pode até sugerir a música também… Só para começar, em bem que queria acordar de madrugada daqui a um ano e, a caminho de um aeroporto qualquer, ouvir Pitty cantando “Manhãs de setembro” com ela – tudo produzido por Karina Buhr (que ainda emprestaria seu lindo sotaque aos vocais do refrão, é claro).

E se quiser continuar na brincadeira, aproveite e me ajude a lembrar também de outros duetos (nacionais e estrangeiros) surpreendentes da música pop – eu certamente deixei muita gente legal de fora neste “breve” post…

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